Manuscrito | Quebrando meu próprio silêncio


Lembro-me perfeitamente, de uma conversa ao telefone, que tive com uma ex-aluna de um dos treinamentos quais ofereci em São Paulo, sobre a importância de quebrarmos o silêncio em alguns momentos de nossas vidas. Lembro-me que disse a ela: “Todos nós temos o momento de ficar em silêncio, e também, o momento de liberar nossa voz. Quando este segundo momento chega em nossas vidas, precisamos vivê-lo. Precisamos quebrar o silêncio, sem medo, sem receio algum. Por quê este é simplesmente o momento. E quando ele -realmente- chegar, nada poderá ser mais forte do quê a força de nossa própria voz. Chega uma hora na vida, qual precisamos quebrar o silêncio por nós mesmos!”.

Confesso: tudo fica muito mais fácil na teoria. Nunca imaginei que minhas filosofias, seriam tão difíceis de serem postas em prática. Mas cá estou eu – na tentativa de quebrar o silêncio, e calar – de uma vez por todas – esse grito silencioso que pairou dentro do meu ser desde o ocorrido com o meu irmão.

Tenho um público muito querido, qual me acompanha há muito tempo (gratidão, gratidão!). Alguns, me acompanham desde outros blogs, outras colunas, outras ideias, outros conceitos… Até mesmo estes, poderão ficar muito surpresos com esse artigo. A propósito, digo de antemão, que este é um dos artigos mais especiais deste blog. Não pelo o quê estará escrito nele, mas por quem será mencionado, e por sua motivação.

Quem me acompanha, sabe bem que sempre mantive muita descrição acerca de assuntos pessoais. E às vezes, minha vida pode até parecer bem monótona, e pacata. Mas a verdade sobre mim, é que vivo como um vulcão em erupção. Só que, veja bem, até mesmo os vulcões têm seus encantos.

Muitas vezes, sinto uma vontade enorme de encher esse blog de devaneios e até lamentações. Sinto o desejo enorme de chegar aqui e desnudar minha alma. Só que alguma coisa acontece dentro de mim, e não consigo ser tão mesquinha, tão megera, tão egoísta. Logo penso em você, que está aqui me lendo. Você que já tem seus próprios males, que enfrenta suas próprias batalhas, e trava suas próprias lutas. Pra quê toxicar sua vida?
O mundo está cheio de coisas e pessoas tóxicas. Não quero ser uma delas. Então, vou viver meus momentos de quietude e solitude (quais já falei aqui no blog). Assim faço, até me desintoxicar completamente. Até dissolver todo sentimento negativo, e absorver sentimentos positivos, para vir aqui, e abrir meu coração a vocês. Por quê é assim que tem que ser.

Entenderam o porquê de desapareço de vez em quando? 

Além do mais, acho que toda e qualquer exposição na internet, pode ser perigosa. Precisa haver um propósito muito grande, por trás de cada janela interior que abrimos ao mundo. Caso contrário, nem vale a pena expôr!

Já passei por bons bocados. Quem nunca? E sei que cada experiência me trouxe uma aprendizagem impar. E aposto que a cada um de vocês, também. Prometo que cada uma dessas experiências, serão compartilhadas pouco a pouco. Tudo em seu tempo. Sem pressa. Combinado?

De todo modo, quero que tenham certeza de uma coisa: me sinto honrada em estar compartilhando uma delas com vocês, hoje.

No dia 20 de Novembro de 2015, perdi o meu irmão mais velho (meu amigo, meu protetor, minha asa direita) para o câncer. E por mais que aquele dia tenha sido o mais sombrio de todos os meus dias vividos até hoje, tenho refletido sobre sua vida aqui na terra, e compreendido sua partida. E por mais que isso traga uma dor intensa e profunda em minha alma, tem -ao mesmo tempo, com a mesma intensidade e profundeza- curado meu ser.

Bruno. Este era o nome dele. Conhecido como “Guerreiro” – de fato, sua identidade. Bruno fora diagnosticado com um câncer embrionário metastático em 2012. Lutou incansavelmente, destemidamente, durante três longos e árduos anos.

Tumor metastático é aquele que se espalhou a partir do lugar onde se iniciou para outro local do corpo. Um tumor formado por células cancerígenas metastáticas é denominado tumor metastático ou metástase. O processo pelo qual as células cancerígenas se espalham para outras partes do corpo é também chamado de metástase.

Em resumo, o quê a medicina tentava nos dizer era: “O Bruno tem um tipo de câncer agressivo, que está se desenvolvendo em seu corpo, desde que ele era um embrião. E este câncer se espalha por todos os órgãos do corpo, em curto prazo, até que o afetado seja consumido completamente”. Bruno tinha um tumor “matriz” na região pélvica, que se espalhou (em prazo curtíssimo) por todo o seu corpo; dos pés à cabeça.

E mesmo havendo um câncer percorrendo seus ossos, nunca o vi curvado diante das circunstâncias da vida. As únicas vezes quais o vi curvado, foi diante da presença do Soberano Criador. Nada diferente disso. Mesmo havendo um câncer percorrendo por suas correntes sanguíneas, nunca o vi queixar-se. Pelo contrário, quando perguntávamos como ele estava -apesar de tudo- ele sempre respondia: “Estou bem! Estou curado!”. Mesmo havendo um câncer fazendo uma bagunça enorme em seu cérebro e em todo o seu organismo, sempre o vi certo do seu propósito na terra. Sempre o vi centrado. Sempre o vi motivado. Mesmo havendo um câncer espalhado por seus pulmões, mesmo o vendo perde o ar pouco a pouco, mesmo o vendo perder completamente sua força física, mesmo o vendo internado em uma Unidade de Terapia Intensiva, mesmo o vendo respirar por aparelhos, mesmo o vendo sendo sentenciado, mesmo em seu último de sua vida… Ele permaneceu forte. Ele permaneceu fiel. Em suas últimas horas, quando não tinha mais condições físicas para nada, ele cantou uma canção e fez uma oração. Nos deu uma lição inesquecível sobre fé, honra e gratidão. E até mesmo nos últimos minutos de sua passagem pela terra, virou para minha mãe, calmo e sereno, e disse: “Mãe, estou sentindo uma paz tão grande! Estou sentindo meu corpo diferente. Tem uma coisa muito boa acontecendo dentro de mim. Pode ir pra casa. Eu vou descansar agora!”. Minha mãe voltou pra nossa “casa temporária”. E o Bruno? Bom, no começo desse artigo, eu disse que havia o perdido para o câncer. Na verdade, no dia 20 de Novembro de 2015, meu anjo mais velho, voltou para o seu verdadeiro lar.

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4 comentários em “Manuscrito | Quebrando meu próprio silêncio

  1. Thais, raramente passo a madrugada prestando atenção no BGS. Mas essa noite foi diferente, estava me questionando entre tantos posts iguais, onde todo mundo foca no numero de visitas e monetização, se ainda existiam blogs com artigos despretensiosos onde quem mandasse nas palavras fosse o coração, foi então que sua postagem subiu minha timeline. E nossa, como valeu a pena.

    Apesar da dor q você está sentindo, me passou uma paz enorme e trouxe para essa primeira semana de 2016 talvez a lição mais importante do ano: A fé é o que realmente importa.

    Obrigada, de todo coração por ter aberto essa janela da sua alma.
    Força.

    Se puder, ouça a música: O anjo mais velho – O teatro mágico
    também é sobre o irmão mais velho do Fernando Anitelli e é lindíssima !

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  2. Tamires, como é bom vir aqui e ler seu comentário. Como é bom saber que alguém como você, leu minhas palavras e as compreendeu perfeitamente. Como é bom saber, que até mesmo “a música do meu anjo mais velho” fez sentido a você… Puxa! Meu coração está contente e grato. Essa música, é a grande trilha sonora do meu irmão. Tem tudo a ver com a nossa história. E quando fiz menção ao anjo mais velho, conciliava com ela. Sou fã de “O teatro Mágico”. E pelo visto, você também é. Mais uma vez, gratidão. Estou sem palavras! ❤

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  3. Que texto maravilhoso, estou inteiramente emocionada aqui. Seu irmão foi um guerreiro, lutou por ele e por todos vocês. Existe pessoas que infelizmente partem, mas que deixam uma grande saudade e um aprendizado sem tamanho para nós, essas pessoas podem e devem ser chamadas de anjos, anjos que nos ensinaram e nos ajudaram em nosso crescimento.

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  4. Sinto pela sua perda , mas quando o PAI MAIOR nis chama de volta à Casa Paterna , temos que regressar e seu irmão sabia disso . Lindo e comovente texto !

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