Notas de uma observadora: O resto não lhe cabe


Está tudo do avesso, eu sei. Bem distante de tudo aquilo que você sempre sonhou. Distante de tudo aquilo que sonhamos. Sei que o mundo tem parecido mais caótico do que quando nossos avós nos falava sobre ele. Sei que o fim do mundo, parece cada vez mais distante. E ao mesmo tempo, paira sobre nós, a dura sensação de que o mundo desabou. Faz tempo. A propósito, o tempo… Tem passado com toda a sua força. O tempo passa, e não há tempo para passatempos. Os livros, parecem estar sempre em branco. As músicas, desafinadas. Todos têm andado depressa. Com tanta pressa, que lenta e grosseiramente, passam por cima uns dos outros. Doem os nossos pés. Doem as nossas costas. Dói nossa cabeça. Aqueles remédios que tanto nos gabávamos por não precisarmos, já são indispensáveis num dia de sol, numa noite qualquer.

O tiro, perfura o peito. O dinheiro, escorre por nossas mãos. Os políticos, saracoteando no planalto, no plenário, no povo. O povo, pobre povo. Povo sempre pobre. Não conhecem outra nação. Não conhecem a própria nação. Precisam escolher: Ou pão, ou feijão. Nada dessa ideia de voar de avião. As contas chegam, aos montes. Todo fim de mês, a certeza de que o orçamento estará comprometido. E ainda assim, faltam uns trocados, e o serviço de internet é cortado. Corre-se o risco. Gambinet, gambiarras. Esquecem a ética, quebram a lei, afinal de contas… “Isso não é nada”. Trabalhamos duro, o dia inteiro. Suamos a camisa, quebramos o salto, engrossamos os dedos, engolimos o choro, aguentamos a pressão. Pra que no fim do mês, tenhamos o luxo de comer um pouco de macarrão. Mas tá tudo bem. No fim das contas, tá tudo bem. A gente sabe que seria assim mesmo. A gente sabe, que esse é o processo. A gente sabe, que não vale a pena pular etapas, fugir da responsabilidade. A gente sabe que apesar dos apesares, é melhor ter dor de cabeça no fim do dia por uma conta atrasada, do que o peso eterno de fazer tudo, menos o que realmente devia ter feito. Em vida, cria-se a oportunidade. Em vida, vence-se os medos. Em vida, supera-se os obstáculos. Em vida, colhe-se o que fora plantado. Em vida, vive-se a vida.

Viva a vida. E não viva a vida em vão.
O resto, não lhe cabe.


assinatura-blog-ponto-da-lira

Um comentário em “Notas de uma observadora: O resto não lhe cabe

Olá! Seu comentário passará por aprovação. Se seguir nossos procedimentos, ele estará disponível em algumas horas.

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s