Desconstrucionismo na moda | História da Moda


Por Thaís Lira

Uma certeza nessa vida: tudo o que foi construído – seja lá como tenha sido- pode ser desconstruído. E isso também acontece no mundo da moda. No artigo de hoje, faremos uma breve passagem pela história da moda, e abordaremos esse assunto que, diferente do que muitos pensam, começou há muito tempo.Para que sua leitura seja ainda mais agradável, aperte o play na sugestão de música abaixo.

Ou, caso prefira, você pode escutar a playlist do blog que está na lateral (caso esteja no notebook) ou no rodapé do blog (caso esteja no smartphone ou tablet).

Influenciado pelo filósofo e filólogo francês Jacques Derrida, o conceito e movimento da desconstrução surgiu propondo uma crítica de conceitos filosóficos primários. Surgiu para desmistificar a ideia de perfeição até então criada no mundo, fazendo a sociedade compreender que o imperfeito é mais do que normal. O conceito reforça a ideia de que a desconstrução, não é o mesmo que destruição. A desconstrução é, na verdade, a desmontagem, a decomposição de elementos previamente criados. A desconstrução mexe no que até então, parecia estar pronto, mostrando que a partir deste ponto, pode-se recriar, e criar algo ainda melhor que outrora. O movimento teve grande impacto e influência na moda, pois enfrentou a natureza vaidosa da moda, com muito humor e excentricidade.

Costuras e pontos podem ficar aparentes. A ideia que Derrida faz do artista como bricoleur (termo francês para definir o trabalhador comum) é aplicada à moda com o uso de materiais reciclados e utensílios casuais; as peças “inacabadas” podem estar desfiadas ou serem feitas em tecidos imperfeitos, com costuras tortas e danificadas. Entre os nomes relevantes, estão Martin Margiela, Comme des Garçons, Yohji Yamamoto e Issey Miyake. (Dicionário da Moda)

 

Derrida nasceu e cresceu na Argélia. Sofreu, durante a época da Segunda Guerra com as consequências das políticas antissemitas. Entretanto, a descoberta dos livros de Jean-Jacques RousseauFriedrich NietzscheAndré Gide e Albert Camus, durante a adolescência, contribuíram para sua vocação literária e filosófica. Derrida trabalhou como professor auxiliar na Universidade de Harvard. Casou-se em junho de 1957 com Marguerite Aucouturier, e prestou serviço militar a seguir. Tornou-se professor em 1959, na escola secundária de Le Mans, proferindo também algumas conferências. Completou na Bélgica sua formação com a agrégation (exame francês que permite ao diplomado tornar-se funcionário permanente do ensino público). De 1960 a 1964 ele deu aulas na Sorbonne; no ano de 1964 obteve o prémio Jean-Cavaillè (um prêmio para produção em Epistemologia), por sua tradução de A origem da geometria, de Edmund Husserl. Em 1965 foi chamado para dar aulas na École Normale Supérieure, ocupando o cargo de diretor de pesquisas, junto com Louis Althusser. Seria professor naquela escola até 1984. Sua participação num colóquio na Universidade Johns Hopkins, em Baltimore e no ano de 1966, marca o início de uma série de viagens para os Estados Unidos. Fundou a associação Jan Hus em 1981, destinada a auxiliar intelectuais dissidentes da Tchecoslováquia. Chegou a ser preso em Praga, após um seminário clandestino, e foi libertado graças à intervenção de François Mitterrand. Desde a saída da École Supérieure e até seu falecimento, Derrida foi diretor da École des Hautes Études en Science Sociales, de Paris. Desde 1986 ele era professor de humanidades na Universidade da Califórnia (câmpus de Irvine), onde era também diretor do arquivo de manuscritos. Em 2001, recebeu o Theodor W. Adorno-Preis, em Frankfurt. Um filme sobre ele, feito por Amy Ziering-Kofman e Kirby Dick com sua participação, foi lançado em 2002. Derrida morreu em Paris, no dia 8 de outubro de 2004 em decorrência de um câncer no pâncreas (Wikipédia).

Fonte: Dworaczyk

Você poderá saber muito mais sobre o conceito da descontrução clicando aqui (para ler o artigo em português), ou aqui (caso queira lê-lo em inglês).

A desconstrução no presente:

Na música, no cinema, no teatro, nas artes plásticas, na arte de rua, na dança, na literatura, na culinária, nos trabalhos manuais… A desconstrução está presente em tudo. Veja abaixo, alguns exemplos mencionados:

Fonte: blckdmnds.com

Barnaby Roper, é diretor e fotógrafo. Expressa a arte com referências surrealistas, simbolismo e moda por uma perspectiva muito própria. O artista já trabalhou com grandes nomes como Swarovski, Nike, Viktor & Rolf, e até mesmo a consagrada Chanel. Dentre suas variadas técnicas, está presente as imagens distorcidas, os elementos gráficos fortíssimos, e toda a excentricidade de uma alma completamente artística e desconstruída.

Fonte: thecitizensoffashion

Outro bom exemplo de descontração, é o ilustrador Ignasi Monreal. Suas ilustrações de moda, são diferentes de tudo o que você já viu ao que se refere à ilustração de moda. Um traço único, marcante, com muitas coisas, autenticidade e contemporaneidade. Quando estiver com um tempinho, pesquise a respeito do artista. Você vai se apaixonar.

Fonte: Art Sheep

O primeiro contato visual que tive com o design de Guo Pei, foi bem marcante a mim. Quando vi um de seus trabalhos pela primeira vez, quase não acreditei. Uma imensidão de sentimentos e criatividade expresso em um único design. E realmente, é surpreendente. A chinesa sempre apresenta suas peças com muito conceito e performances memoráveis. A propósito, em minha concepção, é bem difícil chegar ao nível criativo dessa mulher e sua equipe de criação. Ela tem não apenas desconstruído a moda, como a tem reconstruído.

Encerro esse artigo, fazendo menção novamente à Chanel. Muito além de uma marca de moda, carrega a história de Coco Chanel. Um verdadeiro modelo de desconstrução. Mulher criativa, empreendedora, que viveu muito a frente de seu tempo; Coco quebrou tabus, ultrapassou a grande barreira do machismo, revolucionou o mercado da moda, e mostrou às mulheres e a todo o mundo, que todos nós podemos ser e vestirmos o que quisermos.

Assim encerro esse artigo. Espero muito que você tenha aprendido junto comigo, e que tenha gostado. Fiz essa matéria com muito empenho e carinho.

Bibliografia Utilizada: Dicionário de Moda

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