Netflix: Lion – Uma Jornada para Casa


Por Thaís Lira

No artigo de hoje, venho compartilhar minhas percepções a respeito do filme Lion – uma jornada para Casa, que conta a história de um garotinho Indiano, que se vê sozinho dentro de um trem, rumo ao desconhecido.

Como sabem, gosto de deixar os artigos ainda mais envolventes. Por isso, coloco sempre uma trilha sonora. A de hoje, é uma música tradicional em cerimônias da India. Aperte o play, e boa leitura.

Começo dizendo que Lion – uma jornada para casa, é filme para pessoas maduras, que abrem o coração como uma criança, e que sabem o momento certo de absorver as mensagens transmitidas por uma película, independente dos erros técnicos cometidos durante a trama.

O filme conta a história de um garotinho de 5 anos, chamado Saroo. Um menino pobre, sobrevivente entre pouco mais de oitenta mil crianças que se perdem na India todos os anos. Sobrevivente entre pouco mais de 11 milhões de crianças que tornam-se vitimas das ruas, pedófilos, ladrões, e traficantes.

A história começa quando pequeno grande Saroo, resolve acompanhar seu irmão mais velho na busca por um emprego e alimentos, para trazerem à sua mãe e irmã caçula. Porém, depois de algumas horas andando e buscando dinheiro, o pequeno Saroo se cansa. Seu irmão mais velho resolve então, deixá-lo dormindo no banco da estação de trem, fazendo o pequeno Saroo prometer que não sairá dali. Sonolento, Saroo promete ao irmão, e adormece. Algumas horas depois, o garotinho desperta e percebe que estação está completamente deserta, e que seu irmão não está ali. Desesperado, começa a procurá-lo por toda parte.

Até que no ápice do desespero e cansaço de uma criança de 5 anos, ele adormece novamente em um vagão do trem, esperando seu irmão retornar.

Saroo acorda no caos de Calcutá. Bem longe do seu irmão e sua família.
E ali foi a primeira parada, de uma longa jornada.

Diante do caos, Saroo não tem outra alternativa a não ser: sobreviver e manter dentro de si, a esperança de reencontrar seu irmão e voltar para sua família.

Rostos, sonoridades, dialetos nunca vistos e ouvidos por Saroo antes – imergido num completo mundo desconhecido, Saroo, mesmo sendo apenas um garotinho, sente em sua pele a dor do desamparo, da indiferença, da infidelidade, da ingratidão, da maldade humana.

Com a coragem de um leão, o garoto enfrenta o mundo, como se já estivesse estado ali antes. E ali, na confusa Calcutá, ele é descoberto como mais uma das milhares de crianças perdidas na India. Então, é encaminhado para um orfanato.

Naquele orfanato, Saroo é questionado por adultos que parecem estar muito mais perdidos do que ele.
Perguntas sem respostas, por todos os lados. E uma carga emocional impressionante, com uma atuação quase que perfeita do pequeno ator Sunny Pawar. Depois de algum tempo (não é possível saber com exatidão de quanto tempo estamos falando), Saroo é adotado por um casal australiano. E sem questionamentos, ele se reinventa mais uma vez, e embarca para mais um recomeço, com novos rostos, novos costumes, novos sentimentos.

Uma relação familiar é delicadamente construída – especialmente entre Saroo e sua nova mãe, interpreta por ninguém mais, ninguém menos que Nicole Kidman (que a propósito, me arrancou lágrimas!). Algumas coisas acontecem nessa parte do filme, que é -quase que de forma súbita- interrompida pela imagem de Saroo, quando ele torna-se um homem.

Diante de sua privilegiada realidade, Saroo sente-se incapaz de seguir em frente, sabendo que sua primeira família ficou para trás, em algum lugar muito pobre da India, passando fome e tentando sobreviver numa realidade miserável. Depois de grandes conflitos interiores, ele toma uma decisão: vai até a India na esperança de reencontrar sua família. Mas a sua frente, inúmeras razões para não fazê-lo: ele não sabe o nome de sua mãe, não sabe onde vivia até o ocorrido, não sabe o nome da cidade que nasceu… A única coisa que ele carrega dentro de si, são vagas lembranças e esperança. Talvez, isso seja o suficiente.

A propósito, falando sobre esperança, deixo um GIF com uma das cenas mais lindas e marcantes do filme.

Resumo: a trama é apelativa, e denuncia uma realidade vivida em diversas partes do mundo. Tem uma fotografia impressionante. A trilha sonora não passa despercebida. O roteiro foi bem construído, apesar de haver algumas partes que deixam a nítida sensação de inacabado. A atuação de Sunny Pawar e Nicole Kidman, merecem destaque (lê-se Oscar). Há uma forte carga emocional no filme. Então, não importa o quão “durão” ou “durona” você se considere, em algum momento do filme, haverá um ninja invisível cortando cebola do seu lado. Emociona, sim! Ainda mais por sabermos que a história realmente aconteceu. E que alguns pontos expostos no filme, realmente acontecem e são realidade de muitas famílias na India.  Vale mencionar que há um romance no filme, que para mim, passou bem despercebido. Recomendo o filme para famílias, pais, filhos. Apesar de tratar assuntos delicados, não tem cenas que causarão algum tipo de constrangimento.

Contextualizando o Pequeno Príncipe:
“Um filme como esse, só se vê bem com o coração. O essencial é invisível aos olhos”.

O trailer, pra quem quiser assistir:

Se assistir e gostar, depois me conte o que achou.

 

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