Autoconhecimento: 10 coisas que aprendi (e apliquei) usando o Whatsapp


Por Thaís Lira

Até as coisas mais improváveis, são capazes de nos trazerem grandes ensinamentos, se estivermos prestando atenção. Hoje, irei compartilhar com vocês, 10 coisas que aprendi usando o Whatsapp. Lições pra vida.

  1. Aprendi com o Whatsapp, que não preciso saber quando foi a última vez que a pessoa esteve ali. E vice versa.

    Criamos o péssimo hábito de monitoramento da vida alheia através das redes sociais, como se tivéssemos esse direito. E muitas vezes, tiramos a liberdade que elas têm de definir se realmente estão disponíveis, e se realmente querem estar ali, naquele momento. Costumo dizer que muitas coisas acontecem enquanto estamos “online”. Isso porque há muitas pessoas que enquanto estudam, por exemplo, elas ficam “online”. Já outras, ficam “online” pelo smartphone enquanto assistem uma série no computador. Há aqueles que estão fotografando, escrevendo, criando, enquanto suas redes sociais estão conectadas. E não posso deixar de mencionar aquelas pessoas cujos aparelhos eletrônicos estão sempre conectados, e elas simplesmente não estão. E tá tudo bem. O Whatsapp realmente me ensinou muito sobre a importância de respeitar o espaço, tempo e privacidade de cada indivíduo.

    O que me ajudou muito, foi desativar recursos que causassem o efeito contrário, o não desejado. A desativação da última vez que estive ali, por exemplo.

  2. Aprendi que não preciso de um ícone/símbolo de confirmação de leitura do Whatsapp, para ter certeza de que minha mensagem foi recebida e será respondida no tempo certo pelo o receptor.

    Esse foi um dos recursos que me aprisionaram por anos. Fazia questão de ativar a confirmação de leitura, para poder ter certeza do momento exato qual a pessoa visualizou minha mensagem. E ainda fazia um comparativo do tempo que ela levou para fazê-lo. Aquilo me gerava uma ansiedade absurda, rídicula. Até porque, qual o problema de ter a minha mensagem visualizada e não respondida imediatamente? Ou melhor, qual o meu problema de achar que só porque estou disponível naquele momento, o receptor de minha mensagem também deva estar? Trabalhei a minha mente para COMPREENDER que o receptor pode estar ocupado com outra coisa. Trabalhei minha mente para ACEITAR que o receptor pode simplesmente não estar pronto, bem, ou disposto a me responder no momento que quero. Trabalhei minha mente para ENTENDER que o aplicativo pode sim estar sob o meu controle. Mas as pessoas, jamais estarão. Elas têm suas vidas, seus momentos, suas ocupações, suas escolhas, seus desejos e vontades, suas razões e motivos. Simples assim.

    Me sinto bem mais leve e livre, e sinto que as pessoas que se comunicam comigo, têm aprendido muito sobre essa liberdade e respeito. Eu compreendo que elas responderão no momento certo. Assim como as responderei no momento certo. Assim mesmo, com leveza, com empatia, sem pressão.

  3. Do mesmo modo, aprendi que não preciso de um ícone de confirmação de leitura para ser ignorado.

    Digo isso, porque existe uma cobrança de que “havendo confirmação de leitura ou não, preciso ser respondido”. E não é bem assim que as coisas acontecem. Aquele ser humano pode simplesmente optar por não entrar naquele diálogo, discussão, bate-papo com você. Ele tem o direito de não querer fazê-lo, por motivos que também pertencem a ele. Aprendi e compreendi que ser ignorada, esquecida, deixada para lá, faz parte dessa minha vivência humana. Na verdade, aprendi a mudar a perspectiva. Invés de pensar: “Meu Deus! Fui ignorada”, penso: “Essa pessoa não está pronta para me responder agora. Talvez, em algum momento, ela se sinta pronta. Caso não se sinta, está tudo bem. Carry on”. Invés de pensar: “Meu Deus! Fui esquecida. Minha mensagem não é respondida há 15 dias”, penso: “Se a pessoa porventura esquecer, em algum momento, ela vai se lembrar e entrará em contato comigo. Caso ela realmente tenha optado por me ‘deixar para lá’, isso significa que tenho algo a aprender – reciprocidade. Alguns permanecerão e retribuirão. Outros, não. Tudo bem também”. Em algum momento, os caminhos se cruzam e tudo se resolve.
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  4. Aprendi que não há problema algum em  responder a mensagem na hora em que recebo/escuto.

    Assim como não há problema algum em responder imediatamente quando a recebo, se assim desejar, não há problema em estar disponível e em responder imediatamente, se eu quiser. Uma das coisas que me faz permanecer na vida de uma pessoa, é empatia. Outra, a reciprocidade. E da mesma forma que desejo empatia e reciprocidade por parte das pessoas quais tenho diálogos diariamente, busco ser assim com cada uma delas. Uma a uma. Constantes e presentes um na vida do outro. Não tenho receio algum em deixar para respondê-las posteriormente se estiver ocupada. Assim como não tenho receio algum em respondê-las no momento em que recebo suas mensagens, se estiver disponível. Não preciso contar no relógio e dar ‘cházinho de espera’ nas pessoas que realmente faço questão de ter por perto. Essa coisa de ‘Ah! Não vou responder agora, para a pessoa não achar que estou disponível pra ela’, é uma tremenda sabotagem para as nossas amizades, relacionamentos amorosos e familiares. Gera insegurança, mesquinhez, egocentrismo e ansiedade. Precisamos entender que: as pessoas certas para estarem conosco, terão ciência da importância que têm a nós e da importância que temos a elas. Terão ciência de quando estaremos presentes ou ausentes para elas, assim como terão ciência e respeito pelos momentos quais nós estivermos presentes ou ausentes para nós mesmos (sim, estou falando sobre aqueles momentos que estamos em processos mais profundos e intensos de autoconhecendo, e que geralmente, acontecem em uma esfera de solitude. E também me refiro àqueles péssimos momentos quais estamos simplesmente querendo a solidão).

    Então, para de “neura” e grava isso: não há problema algum em estar presente e disponível para quem você quer manter em sua vida. A constância e a presença, trazem sustância para nossos relacionamentos. E também não há problema algum em se isolar e se ausentar de vez em quando. Isso faz parte da existência humana, tudo bem? ❤

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  5. Aprendi a lidar com correntes, spam, mensagens enviadas através de listas de transmissões, e até mesmo os envios de documentos/fotos/vídeos pesadíssimos.

    Essa parte me trazia muito incomodo num passado (não tão passado assim). Até que comecei a me questionar: “qual a razão de me incomodar TANTO com essas ações? Não é possível que seja apenas o incomodo de ocupar memória em meu celular ou de receber conteúdo que simplesmente não me agregam em absolutamente nada.” Então, após alguns períodos meditativos e reflexivos, conclui que não se tratava de um “simples incomodo”. Tratava-se na verdade, de uma frustração mediante o terrível hábito que tive (durante muuuuuuuitos anos) de achar que podia controlar as pessoas a minha volta. E mais do que isso, observei que estava -mesmo que inconsciente, mais uma vez- me enfurecendo por ter amigos/contatos/pessoas simplesmente diferentes de mim. Quantas vezes nos frustramos e até nos enfurecemos por ver as pessoas que amamos/gostamos agindo diferente do modo como agiríamos? Quantas vezes nos pegamos desejando que elas simplesmente fossem diferentes e se comportassem diferentes do que realmente são? Quantas vezes são as vezes que implicamos, debochamos e até inferiorizamos as pessoas por elas acharem beleza num urso cor-rosa-piscante, ou num GIF irritante, ou até mesmo por elas se deixarem levar por correntes, notícias falsas e links com vírus? Várias. E se em vez de implicarmos, agradecêssemos, apagássemos e seguíssemos nossa rotina diária? E se em vez de debocharmos, interagíssemos compartilhando conteúdos que consideramos interessantes com essas pessoas? Tenho em mente que: a troca tem seu valor por simplesmente ser uma troca. Não importa se o que nos é oferecido é superior ou inferior ao que oferecemos. Houve uma troca. Isso que importa. Se não estou gostando do que estão oferecendo a mim, devo observar e ser mais amorosa/cuidadosa com o que tenho (ou não) compartilhado com elas.

    Hoje, quando recebo coisas que me desagradam, incomodam ou irritam, mais que a outra pessoa compartilhou por achar legal, agradeço, visando a intenção. De maneira consciente, compreendi que cada usuário tem a sua maneira de manter contato, de se expressar, de interagir, de manter-se nas redes sociais. E que chata sou eu, que fico reclamando de coisas tão simples de serem resolvidas.

  6. Aprendi que não há necessidade de exclusão de conversas. Assim como não há necessidade de mantê-las ali.

    Não tem problema deixar algumas coisas passarem, e fazer com que outras permaneçam por algum tempo. O Whatsapp pode ser uma ponte de conexão com pessoas especiais em todo o mundo. Mas ele jamais irá suprir o poder de ter uma conversa “olho no olho”. Por mais que promova muitas conexões, o Whatsapp continua sendo uma rede social, supérflua e com uma probabilidade gigantesca de nos deixar na mão de em algum momento. Tudo pode sim ser intenso e profundo. Mas pode também ser vago e vazio. Por isso, tenho buscado utilizar a rede social com moderação, com sabedoria e equilíbrio, usando toda e qualquer profundidade como oportunidade para cafés, encontros, ligações telefônicas, troca de e-mails, etc. Então, sempre conscientizo meus amigos que não me desespero para manter salvas ou perdidas as minhas conversas. E todos eles respeitam essa escolha e tratam de maneira leve, despretensiosa, como deve ser. Essa é uma das bem-aventuranças de prezar por relacionamentos saudáveis.

  7. Aprendi a arquivas conversas importantes. Assim como aprendi a arquivar conversas para não ficar obcecada por algum diálogo ou contato em especial.
    Isso diz muito a respeito daqueles momentos em nossas vidas, que estamos dedicando máxima atenção a uma única pessoa, esquecendo de todas as outras pessoas a nossa volta. Eu por exemplo, tenho esse hábito. Sou muito protetora. E justamente por isso, propensa a dedicar muito tempo e esgotar minhas energias com uma única pessoa, ficando em falta com outras que amo da mesma maneira. Justamente por isso, aprendi a controlar e manter o equilíbrio mediante essa característica que tenho, criando um novo hábito de “Arquivar a Conversa” quando percebo que estou tratando aquele diálogo e aquela pessoa como prioridade, esquecendo todas as outras pessoas. Assim como criei o hábito de “Fixar Conversa” quando estou com alguma pendência com a pessoa. Isso me faz rever todos os dias a minha lista de prioridades e me ajuda a equilibrar minhas relações, doando um pouco de mim para cada uma das pessoas que têm se doado a mim.

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  8. Aprendi que não há problema algum em falar através de pequenas frases, grandes textos, pequenos áudios, grandes áudios. Isso se chama: comunicação.
    Diálogos podem sim, ter um textão como introdução, e acabarem com um áudio da pessoa dizendo “tchau, até amanhã”, que não levará mais do que 2 segundos. No começo, quando era nova usuária no Whatsapp, me irritava facilmente quando me enviavam áudios com mais de 15 segundos. Até porque, para mim, a comunicação em rede social tinha por obrigação, ser sucinta e eficiente. Não que minha ideia sobre redes sociais tenha modificado, mas hoje percebo que quando se trata de relacionamentos, não devo impor tantos limites e ser tão carrasca a respeito disso. Como disse em tópicos anteriores, o Whatsapp é uma ponte de conexão. E muitas vezes, ele possibilita conversas longas, intensas, profundas. Assim como possibilita informações sendo passadas com objetividade. E as duas maneiras são nada mais nada menos que: comunicação. Tenho amigos no Whatsapp, que basicamente se comunicam comigo por “memes” e emojis (com o Thales, meu mano Alexandre, meu irmão Raphael). Já outros (tipo a Camilla Guerra, Natasha Natsumi, Thaís Santana, Filipe Feijó, Eduardo Luz, Filipe Almeida e o chuchu Paulo), passo horas e horas trocando ideias. E ambos diálogos, são importantes para mim. Hoje, posso dizer que o “jogo virou”. Houveram situações que cheguei a mandar 15 minutos de áudio e textos gigantescos. Recentemente, recebi um áudio de 21 minutos, e devo compartilhar com vocês que foi -de longe- uma das coisas mais bonitas que já ouvi em toda a minha vida. Um áudio para a vida toda! Então, seja mais leve sobre isso também. Permita-se interagir, argumentar, trocar, compartilhar, ler, ouvir. Isso é comunicação. Poder comunicar algo (por menor ou maior que seja) é um privilégio. Honre o tempo dedicado a você, independente de quanto tempo tenha sido.
  9. Aprendi a separar vida social/pessoal e trabalho.

    Coloquei como penúltimo tópico, por ter sido uma das aprendizagens mais difíceis no processo. Não sabia separar “Vida Social” de “Trabalho”. Estava tudo junto, misturado. Não havia limites e horários para nada. Então, tomei a decisão de ter dois Whatsapp. Um Whatsapp é empresarial, para assuntos profissionais. O outro, pessoal, para me manter conectada e me comunicando com um grupo seleto de pessoas. Quando fiz isso, percebi que me sobrava mais tempo para dedicar às pessoas que amo. Vi que era tudo uma questão de administrar meu tempo. E que eu poderia SIM desligar o celular da empresa umas 18h ou 20h e ir encontrar um amigo, assistir um filme, ir a um restaurante, ou até mesmo fazer uma ligação pelo próprio Whatsapp, para falar sobre qualquer coisa. Não precisa ser um assunto importante. Importante é dedicar tempo a quem amamos.  Nós existimos. Nós precisamos viver! Existir e viver. Viver na própria existência.

  10. Por último, o que aprendi com o Whatsapp foi a ser mais caprichosa, atenciosa, dedicada às pessoas que de alguma forma, são frequentes em meus dias. São íntimas, próximas e chegadas.

    Compartilhar uma música pela manhã, uma frase no meio do dia, um áudio legal de madrugada, uma foto fazendo careta, um “meme” bacanudo, uma piadinha que só faça sentido pra gente, uma descoberta genial, um link qualquer… Compartilhar, sabe? Isso é tão genuíno, tão importante. Nosso tempo, é uma das coisas que temos de mais importante em nossa existência. Vale a pena dedicar um pouco dele a momentos simples, que no fim das coisas, é o que prova que estamos vivos.


Uma super ideia: que tal dedicar tempo àquela pessoa ou àquelas pessoas que você ama? Que tal tirar alguns minutinhos do seu tempo, para dedicar tempo ao que realmente importa pra você ou a quem realmente se importa com você? Se você sempre manda emojis, experimente escrever alguma coisa. Se você sempre envia textão, experimente enviar um áudio. Se você sempre envia áudios, experimente fazer uma ligação. Se você sempre liga, experimente uma chamada de vídeo. Se você sempre faz tudo isso, encontre essa pessoa. Não tenho dúvidas do quanto será especial para vocês. Depois me contem como foi.

Gratidão por me ler. Sempre.


assinatura para blog - ponto da lira

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2 comentários em “Autoconhecimento: 10 coisas que aprendi (e apliquei) usando o Whatsapp

  1. Bah… muito útil isso Thaís mas ainda terei que futucar muito para aprender como desativar essas coisas. No mais penso como bem descreveu o zap ou qualquer outra forma de contato virtual, desde que não seja uma emergência, deve ser levado sem que haja stress, afinal o frente a frente ainda é a forma mais natural. Obrigado pelas dicas irei ver como posso desativar algumas coisas que não acho importante. 😀

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  2. Até à data nunca usei whatsapp mas, consigo entender perfeitamente todo o conteúdo transmitido neste texto, baseando-me apenas em trocas de mensagens no facebook, por exemplo. É mesmo muita aprendizagem. 🙂 Parabéns por essa aposta no desenvolvimento pessoal, que aqui fica provado que é possível ser realizado em qualquer situação na vida (até no whatsapp 🙂 ) e grata pela partilha, Thaís!

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