A Lira

Estou muito feliz em poder recebê-lo (a) aqui no blog “Ponto da Lira”, sabia? Personalizei este espaço, com muito carinho, à fim de contar -pelo menos um pouco- de minha história a você. Quero que tenha certeza de uma coisa: Será uma honra compartilhá-la (mesmo que bem resumida) com você. Ah! Aproveitei para compartilhar “as trilhas sonoras de minha vida” com você. Essas músicas são muito importantes pra mim. Espero que goste. Vamos lá?

Uma música que diz tanto sobre mim, que nem sei como não tem meu nome:

Me chamo Thaís Lira Brazil, tenho 23 anos e vivo no município de Mogi das Cruzes, estado de São Paulo. Estou aqui há pouco tempo. Provavelmente, quando estiver lendo esse texto, não terei completado nem um ano por aqui. Mas, estou amando essa cidade. E ter vindo pra cá, foi uma grande oportunidade de recomeçar.

Falando em recomeçar… Sou feita de recomeços. Já recomecei tantas coisas, tantas vezes em minha vida, que o termo já nem me assusta como antes. Pelo contrário, ele me define. Já fiz e fui um pouco de tudo; já cantei sozinha no “Dia dos pais” (com microfone e tudo, gente!), cantei em coral em uma “Cantata de Natal” da escola (escondido, por que fui criada em uma religião aonde o natal não era celebrado), cantei em uma banda só de meninas (que a propósito, teve uns 500 nomes diferentes), e até hoje eu canto. No chuveiro, por exemplo. Toquei bateria com o meu irmão Raphael, e tive aulas de contra-baixo com o meu anjo mais velho (o Bruno), toquei teclado com minha amiga de infância Larissa, violão com um colega chamado Fabrício… Mas o que quero de verdade, é tocar a vida, por que ta embaçado. Falando sério: Estudei teatro, me formei como clown, formei outros clowns, tive minha própria trupe, e quase desisti várias vezes de tudo isso. Dancei. Dancei em apresentações escolares para homenagear o “Dia das mães”. Dancei escondido no grupo de dança do ventre da escola. Dancei em academias, teatros, igrejas… Odiei a dança, com todas as forças que tinha. E – ironicamente – vivo dançando. Vivo pela arte. Mas, prometo falar sobre isso mais a frente.

Escrevi poemas para amigos, cartas para namorados, roteiros para teatro, textos publicitários para agências de publicidade, textos gigantes para a faculdade de teologia, prefácios para escritores, e até venci concursos literários. Me atrevi e escrevi livros, discursos imaginários, bilhetes que nunca foram entregues, e-mails quais nunca foram enviados, e artigos que nunca foram publicados. Me frustrei com minhas próprias palavras. E continuo aqui, escrevendo.

Também desenhei. Desenhei minha família no primário, e o Charles Chaplin, a Amélie Poulain, o Chapeleiro Maluco…  Desenhei a vida como ela foi. Desenho-a como ela é. Costurei roupas para as minhas Barbies, customizei minhas próprias roupas, e depois de muitos anos… Confeccionei minha própria boneca de pano. E ainda pretendo ter minha própria máquina de costurar. Cozinhei. E me dei muito mal. Fui aloprada pelos pratos terríveis que fiz. Mas superei. Aprendi a cozinhar. E faço a melhor macarronada, e o melhor lanche palestino do – meu – mundo inteiro. Não bebo cerveja, chop, wisk, vodka… Nem vinho seco. E nem refrigerante. Meu negócio é leite quentinho, chá gelado, café forte, vinho tinto e bem doce, e – de vez em quando – energético (por que sim!). Criei minha própria marca, e a divido com minha irmã Jéssica (não, ela não é irmã de sangue! Foi noiva do meu anjo mais velho).

Minha história com Deus

Minhas raízes são do judaísmo. Cresci em um lar muito religioso; os Sábados eram dias sagrados, a carne suína era proibida, mulheres não podiam cortas seus cabelos, não podiam usar jóias, maquiagens e calça comprida. As mulheres eram obrigadas a se casarem de véu. Apenas os homens tinham posições de liderança. E apesar de todas essas doutrinas e esse regime tão conservador, sou grata. Aprendi muito enquanto estive ali. Fiz grande amigos (quais trago comigo até hoje). E foi ali que tive o meu primeiro encontro com a arte. Não há como não ser grata.

Apesar de ouvir falar sobre Deus, o tempo inteiro, eu não fazia a menor ideia de quem Ele era. De fato, o conhecia de ouvir falar (muito, por sinal!). Não conseguia enxergá-lo como um alguém que habita dentro de mim. Pra mim, Ele estava em um sublime trono muito-muito-muito distante. E por mais que eu quisesse, jamais poderia tê-lo tão perto. Então, as circunstâncias me levaram a conclusão de que toda a visão que eu tinha sobre o Criador, estava completamente deturpada.

Aos 13 anos, meus pais decidiram que se desligariam dessa comunidade. Hoje, compreendo que tudo ocorreu exatamente como deveria. Mas na época, fiquei muito frustrada. A frustração durou uns três anos. A propósito, durante esses três anos, fiz parte de uma comunidade cristã africana. Foi ali que todos os meus “retratos” sobre o amor, a paz, a unidade, e o tal cristianismo foram quebrados bem diante dos meus olhos. A comunidade tinha membros de todos os lugares do mundo. Os cultos costumavam ser com duração de 3 a 4 horas. Vale considerar que eram pessoas transculturais, dançando por cerca de duas horas ao som de tambores, e outras duas horas de ministração/conferência . Geralmente, o pregador fazia sermões em inglês, francês, Igbo (dialeto africano), e um português terrível. No começo, era impossível de compreender. Com o tempo, a gente se adapta a tudo. No final das reuniões, tinha sempre um banquete com comidas típicas. O banquete consistia em: Arroz apimentadíssimo (qual chamam de Jollof), galinha apimentadíssima (com cabeça, unhas e tudo), e uma coisa que eles chamam de “Fufu”. O Fufu é uma espécie de purê de mandioca, e geralmente, vem acompanhado de um caldo de peixe e piri-piri. Loucura total! Eu sofri pra caramba nessa época. Eu juro.

Depois de três anos ali, aprendendo, meu pai fez uma viagem à África e à Europa. E quando retornou, ele recebeu um direcionamento para abrir uma comunidade cristã para brasileiros. Essa comunidade foi aberta na região periférica da Zona Leste de São Paulo. E foi ali, que finalmente, eu me senti em casa. Começamos meu pai, minha mãe, meus dois irmãos, as cadeiras vazias e eu. E em pouco tempo, já tínhamos pessoas muito especiais ao nosso lado, para nos ajudar a levar a comunidade adiante. Estava muito envolvida com tudo aquilo. Já tinha uma visão mais aberta sobre Deus, sobre amor ao próximo, e sobre a religião em si. Sentia que -finalmente- tinha me encontrado.

Daí, meu pequeno mundinho egoísta desabou quando meus pais se divorciaram. Hoje, isso é algo bem “comum”, de fácil aceitação e compreensão. Mas em minha família foi (e é) algo muito difícil. Estávamos (meus irmãos e eu) chegando a fase adulta. Fase bem louca! Estávamos a frente de uma comunidade cristã. Éramos filhos de um casal publicamente conhecido. Éramos uma referência de “família perfeita”. Quando tudo se dissipou, eu simplesmente não aceitei e não soube lidar com aquela mudança tão drástica e repentina. No mesmo ano, fui reprovada no colégio, comecei um namoro a distância (não era o momento!), saí da comunidade cristã qual fazia parte… Uma reviravolta, mesmo! Tudo ao mesmo tempo. Caí em uma depressão profunda, que quase me levou à morte.

Tropecei. Tropecei feio! Mas levantei e continuei firme.

 

Vi muitas coisas darem errado pra mim. E tenho visto muitas coisas darem certo. Já desisti várias vezes. Mas nunca desisti de tentar. Cheguei no fundo do poço. No fundo mesmo. Levantei de minhas próprias cinzas. Me vi sozinha, acompanhada, feliz, completa, repleta. Já fui e tive vários eus. E mesmo tendo sido e vivido o melhor que podia, o que mais me importa, é o momento mais importante e sublime da vida: O agora.

Sobre o agora? Contentamento.

No mais, sou uma menina -absurdamente- cheia de sonhos. Perdidamente apaixonada por minha família (isso inclui a minha gata de estimação). Que pratica a meditação todos os dias, a fim de conectar-se com o Supremo Criador. Que entrega-se inteiramente e intensamente a tudo o que se dispõe a fazer. Que dá parte de si em tudo o que faz. Que faz tudo com a alma. Que é uma Meraki! Que ama auto-conhecer-se e co-criar-se. E sobretudo, uma menina que está aprendendo a compartilhar as melhores coisas da vida. Por que na vida, ninguém é feliz sozinho.

Minha história com a arte

Essa é uma parte importante em minha história. Minha vida se resume basicamente nisso: Em fazer arte. Como contei a vocês acima, sempre tive envolvimento com a arte em vários aspectos. Nasci e fui criada no meio de uma família de artistas (ou seriam arteiros?); um irmão contrabaixista, e o outro baterista e designer. Uma mãe que foi dançarina e de vez em quando, é uma artista plástica. Um pai que foi ator, e teve uma banda. Porém, todo mundo acabou deixando as baquetas, cordas, pincéis de lado, para se dedicarem a outras áreas de suas vidas; meu pai é bispo e empresário. Minha mãe, bispa e está ajudando a erguer uma nova empreitada do meu irmão Raphael. O Raphael, tem uma agência e está iniciando um novo negócio. Você deve estar se perguntando: “E o Bruno”. Falaremos sobre o Bruno mais a frente. Mas, continuando… A única que vive e sobrevive de arte (mesmo!) sou eu. Trabalho como instrutora de arte, e sou responsável por uma companhia de arte. Essa é a minha parte favorita da vida. A arte tem um poder de cura muito grande sobre a minha vida.  A arte foi minha palavra, quando não tinha nada a dizer. A arte foi meu grito no silêncio. A arte foi o caminho que me conduziu à verdade. A arte foi o remédio que me curou de uma depressão profunda, por conta de minha postura completamente negativa acerca do divórcio dos meus pais, e o término de um namoro. A arte foi minha ponte de acesso ao Criador. Foi a arte, a grande responsável por eu ter tido acesso a um ser qual por muito tempo, deixei de acreditar que Ele existia, e que estava comigo. Mas, se você quiser saber essa história completa, sugiro que se inscreva em um dos workshops da companhia; sempre conto essa história por lá.

O anjo mais velho

De antemão, quer dizer que ainda não sei usar muito bem minhas palavras para falar sobre o meu anjo mais velho.  Talvez, algum dia eu consiga. Por hora, serei breve.

O Bruno foi meu irmão mais velho aqui na terra. Uma referência de obediência, humildade, fidelidade e compaixão. Bruno era excelente em tudo o que se propunha a fazer; desde seu trabalho como técnico em informação, até sua posição de goleiro nos jogos de futebol da família. Era detalhista e organizado. Amava jogar vídeo-game, assistir filmes e seriados. E sua comida favorita, era a japonesa. Falando assim, Bruno parece um garoto comum. E, para muita gente, ele até era. Mas tudo mudou no ano de 2012, quando -através de um jogo de futebol- ele começou a sentir dores muito fortes, que o levaram à uma rápida internação para exames importantes como ressonância magnética e tomografia. Foi com este exames, que descobrimos que o Bruno era especial. Ele fora diagnosticado com um câncer embrionária metastático. Um câncer agressivo e devastador, que reduziu uma vida inteira, para apenas “seis meses de vida”. Demoramos muito tempo para “cair na real”. Nunca imaginávamos passar por uma coisa dessas. Na verdade, ninguém imagina ver o mundo desabar, mesmo sem ter de fato acabado. Mas, apesar de tudo isso, torna-mo-nos fortes. Cada dia mais fortes. Não sabíamos o quê estava por vir. Mas sabíamos quem estava conosco.

Dia após dia, estar ao lado do Bruno, era um privilégio. Não por ele estar “com dias contados”, e sim, por quem ele estava se tornando.Uma referência de ser humano. Um guerreiro. Isso! Guerreiro – esse foi seu codinome.

Há alguns dias atrás, um pouco antes da troca do ano de 2015 para 2016, escrevi algo em meu Facebook. E gostaria de compartilhar com você:

“Sei bem, que cada pessoa reage de uma maneira diferente diante das circunstâncias da vida. Mas, a vida me ensinou a ser mais forte e menos ingrata. Ou melhor, a vida tem me ensinado a ser mais grata e muito mais forte do quê pensei que fosse capaz de ser. Aprendi isso com o meu irmão, inclusive, qual tenho absoluta certeza, que passou por essa terra para me ensinar e me transformar em quem sou, dia após dia. Um homem com alma de menino, que mesmo diante de um câncer metastático devastador, um câncer que invadiu cada um de seus principais órgãos, que invadiu sua corrente sanguínea, seus ossos e seu cérebro -ainda assim- NUNCA (eu disse: NUNCA!) abriu sua boca para queixar-se de algo; eram dores permanentes, internações repentinas, tratamentos intensos e dolorosos, doses cada vez maiores de medicamentos fortíssimos, cirúrgias de risco, perda total de apetite, inchaço, falta de peso, falta de paladar, ansea de vômito constante, fraqueza no corpo (ao ponto de não aguentar segurar uma caneta), crises fortíssimas de dores quais nem sabíamos mais identificar aonde doía… E até mesmo em seus últimos dias de vida – quando estava completamente sem ar, respirando através de aparelhos – ainda assim, nunca reclamou. Ainda estando “diante do vale da sombra da morte”, nunca temeu. Pois sabia que o Criador de todas as coisas, estava com ele. E com Ele está agora. Ainda dói saber que não o tenho mais aqui pertinho de mim. Mas, ao mesmo tempo, penso em tudo o quê meu irmão me ensinou; então, respiro fundo, e sigo em frente – com um coração um tanto machucado – porém, grato.”

O nosso Guerreiro lutou incessantemente durante três anos. Ele não venceu o câncer. Mas venceu na vida. Ele sabia que essa terra, era apenas sua casa temporária. Ele voltou pra o seu verdadeiro LAR.

Qual a história do Ponto da Lira

Por fim, vamos falar sobre o blog.
O blog “Ponto da Lira” é – na verdade – uma junção de muitos outros blogs quais tive desde os meus 15 anos de idade, até aqui. É uma junção de todas as pessoas que fui, e sou.

Tudo começou quando ganhei o meu primeiro computador, aos 14 anos de idade. Nessa época, eu acessava duas coisas: O site da Barbie. E alguns blogues adolescentes. Pouco a pouco, fui me tornando uma leitora assídua. Ler blogues, fazia parte do meu processo de crescimento e amadurecimento. E por mais que me sentisse parte desse universo, eu nunca imaginei que um dia me tornaria blogueira. Mas, sempre tive um desejo genuíno dentro de mim: Ser escritora. Uni o útil ao agradável. E criei o meu primeiro blogue. Foi através desse pequeno blogue, que eu desenvolvi muitas habilidades; fotografia, edição de imagens, e a escrita. Escrever é uma arte. Arte que me leva a saber quem realmente sou. Conheço-me e reconheço-me todos os dias, através de minhas próprias palavras. E saber que esse anseio por me auto-conhecer, e esse processo de co-criação começou em um blogue, é motivo de muito orgulho para mim. Aqui, sou muito livre!

Dentre muitos títulos para o blog, escolhi o “Ponto da Lira”, pois esse espaço tornou-se o “meu lugar ao sol”, “meu abraço quente”, “meu café na cama”, “meu jardim secreto”, “meu luau na praia”, “minha lareira no frio”, minha melhor parte. É aqui, o meu ponto de encontro, de referência, de reflexão, de criação, de partida, de unificação, de expansão, de dúvidas, de decisões, de paz, até mesmo meu ponto crítico. E – quase sempre -, é o meu ponto final. Aqui, faço-me palavras. Torno-me palavras. Aqui, minha alma se desnuda, meu coração se abre, e minha mente se revela. Aqui, é mais uma oportunidade que tenho de fazer o que faço de melhor: Ser eu mesma.

Seja bem-vindo ao meu coração em palavras! É uma honra me conectar a você. Obrigada por estar aqui. E se ficou comigo, até agora, essa música é pra você: https://www.youtube.com/watch?v=IirCEV2AqYM

Gratidão, gratidão, e gratidão!

E se você deseja me contar a sua história, terei prazer em lê-la. Envie seu e-mail para: pontodalira@gmail.com 

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7 comentários em “A Lira

  1. Que bom foi ler sobre ti, Thaís. Você escreve super bem, vale a pena te acompanhar nas entrelinhas e rir das ironias cheias de humor. Parabéns pelo blog… espero conhecer a marca que está para ser lançada. A sua… Abrs.

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  2. Puxa vida! Que legal! Que bom que gostou. Preciso dar uma atualizada nessa bio; a fiz as pressas pelo celular. hahaha Obrigada pelo carinho. E espero lançar minha própria marca algum dia. hahaha La vie est belle! Gratidão, meu amigo!

    Curtido por 1 pessoa

  3. Aquele momento que você fez uma amiga chorar, por você lembrar das nossas peripécias no teclado! Sempre houve você, e não importa os anos ou a distância, sempre haverá! Te amo! ❤

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